
O escritor atleticano Roberto Drummond cunhou uma frase que se tornou histórica em Minas Gerais. Ele disse que, durante uma tempestade, com uma camisa branca e preta pendurada num varal, o atleticano torce contra o vento.
A cruzeirense Sandra Starling, advogada, cientista política e ex-deputada estadual e federal, não fez diferente. Segundo suas próprias palavras, a ela foi dado “o destino numeroso de ser cruzeirense e de participar da exaltação provocada por uma camisa azul e branca”.
Pois bem. É desnecessário explicar a tremenda rivalidade existente entre cruzeirenses e atleticanos. No Brasil, algo semelhante só pode ser visto em Porto Alegre. São Paulo e Rio de Janeiro têm mais de dois times grandes pra dividir as rixas, apostas e bate-bocas do dia a dia. Portanto, a disputa entre Galo e Raposa pode ser entendida e vivida por muito poucos.
Tudo isto colocado, seria possível imaginar cruzeirenses torcendo por uma vitória do Atlético e vice-versa? Sim, desde que um triunfo do rival possa ajudar o outro no Campeonato Brasileiro. Ou não?
Atlético e Cruzeiro lutam por objetivos muito diferentes no Brasileirão. O Galo tenta escapar do rebaixamento desesperadamente. Das 27 rodadas disputadas até agora, o time ficou no Z4 em 20. Mas venceu o último jogo. Fora de casa, bateu o Atlético-GO, por 3 a 2, e ganhou novo alento na luta contra a degola. Já o Cruzeiro quer o título. Cuca assumiu a equipe sob olhares de desconfiança, mas deu bom padrão de jogo a seus comandados e, contando com o indiscutível talento de Montillo, se posicionou como forte candidato ao posto de campeão.
E eis que, na próxima rodada do campeonato, o Cruzeiro enfrenta um adversário direto do Atlético na briga contra a degola e o Galo pega um rival da Raposa na luta pelo topo da tabela.
Na quarta-feira, na Arena do Jacaré, Atlético e Corinthians medem forças. Resultado diferente da vitória não interessa ao Galo. E um triunfo sobre o time de Adílson Batista é mais do que um favor para o Cruzeiro, que está em terceiro lugar na tabela, apenas um ponto atrás do time paulista, que é o vice-líder.
Por outro lado, na quinta-feira, a Raposa vai até Goiânia, duelar com o Goiás. O Esmeraldino tem os mesmos 25 pontos do Galo. Não é preciso dizer que uma vitória cruzeirense ajuda em muito o Atlético na sua difícil luta contra a queda.
Os mineiros, então, devem torcer um para o outro na rodada, para que seus objetivos sejam mais facilmente alcançados. Mas, na prática, as coisas são tão simples assim?
E você? O que acha? A rivalidade regional está acima dos interesses de cada time? Deixe seu recado e apimente a discussão.
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